quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


OS QUATRO CAVALOS MISTERIOSOS

Não são as mulas-sem-cabeça ou cavalos-sem-cabeça, que cospem fogo pelo pescoço cortado.
Não é o boi-tatá, um fogo volante, às vezes em forma de pássaro, voando, à noite, por entre as pedras brancas de granito e as moitas de corunilhas.
Sâo luzes de fogo de cavalos, a galope, a deslizarem pelo ar, a um metro do chão, mais ou menos.
É um barulho tão forte que dá a impressão de uma grande tropilha de cavalos, passando por cima dos tropeiros e dos viajantes que passam a noite, pelo local denominado Apertado, na estrada Jaguarão/Herval do Sul, perto do cemitério e da Vista “do Cerrito" a cerca de 50 quilômetros do município de Jaguarão.
São 4 formas de cavalo, em fogo azul ou muito branco, e apesar dessas cores, os tropeiros e os viajantes noturnos dizem (não sabem explicar) trata-se de um cavalo branco, um cavalo mouro, um colorado e um tostado malacara.
Correm pelo ar, riscando a negra noite numa barulheira danada, só ouvida pelos seres humanos. Dizem que os animais bovinos e os animais selvagens não conseguem ouvi-los: só os humanos, só os humanos...só os seres humanos!
A história verdadeira, porque não é boitatá nem mula-sem-cabeça é contada pelo velho tropeiro Barnabé, descendente dos antigos escravos e que diz ser parente do Negrinho-do-Pastoreio. Diz ele que é neto de um irmão do Negrinho-do-Pastoreio, aquele da lenda, que correu num cavalo baio contra um cavalo mouro.
O que o seu Barnabé conta é que na época da Revolução Farroupilha, mais exatamente em 1837, quatro farrapos, da causa farroupilha, tornaram-se bandidos assaltantes e salteadores de estâncias e de casas de moradia.
Esses 4 renegados montavam um cavalo baio, um mouro, um colorado e um tostado malacara.
Naquela época Jaguarão era uma cidade rica, com riqueza oriunda das Charqueadas, e os fazendeiros guardavam nos cofres das suas casas das estâncias, patacões de ouro e onças de ouro, as moedas fortes e ricas daquela época de fartura e abundância.
Acontece que, ao assaltarem uma casa muito rica, de um rico estancieiro, perto da Vila do Cerrito (e do cemitério de mesmo nome), o dono da casa, junto com seus escravos, cortaram a cabeça dos assaltantes. Essas cabeças foram enterradas debaixo de uma grande pedra, na beira da estrada, à direita de quem vai de Jaguarão à Vila do Cerrito.
E os 4 corpos, abandonados aos caranchos foram, dias depois, por cristãos piedosos (o cura da vila e seus seguidores) enterrados no cemitério do Cerrito, sem as cabeças.
Mas o dono da casa, não sabia que, antes decapitarem as cabeças dos larápios, os 4 cavalos já estavam com as maletas nos seus lombos, junto com os arreios, cheias dos patacões e onças de ouro, numa quantia de muitos quilogramas de ouro.
Com o tiroteio, os cavalos saíram em disparada e o ouro foi espalhando-se por entre as pedras brancas de granito, por entre as corunilhas, as sangas, os arroios e as canhadas daquela zona misteriosa e assustadora.
Ainda hoje, nas noites de aparição das assombrações contam quem as vê, que os fantasmas dos cavalos têm por montaria os corpos-sem-cabeça dos decapitados ali enterrados.
Dizem que eles não procuram mais as moedas de ouro, mas sim estão procurando as suas cabeças, para terem paz e escaparem da danação do inferno em que mergulharam.
Contam também que ainda viajantes e tropeiros tem achado moedas de ouro naquela pedra grande à direita, na estrada a pouca distância do cemitério do Cerrito.
Será que existem moedas enterradas junto com as 4 cabeças embaixo dessa pedra?
 fonte: http://turismoemjaguaraors.blogspot.com.br/p/historias-contos-misterios-e-lendas-de.html

contos de Jaguarão


O VIZINHO LOBISOMEM

Alécio Cabrera, veterano carnavalesco e fundador do Conjunto Tremendões do Morro. O conjunto tem esse nome porque foi criado em sua casa onde mora a mais de cinqüenta anos. Alécio que sempre foi boêmio, chegando em casa nas madrugadas, tinha muito caso para contar. O que marcou é a aparição, desde que era rapazinho, de um animal cinza parecido com um cão, mas do tamanho de um terneiro. A primeira vez que viu, tinha seus 17 ou 18 anos, levantou ainda à noite para tirar leite, quando ouviu um barulho muito forte e a cachorrada do cerro em pânico.
Até a vaca estava assustada, olhou para o lado e viu numa distância de uns trinta metros um animal cinzento que uivava ecoando em toda zona, cujo som alcançou as casas bem distantes conforme o comentário das pessoas, outro dia. A partir daí esse episódio se repetiu todas as sextas-feiras de lua cheia, ao ponto de sua família se acostumar e perder o medo. Certa vez o animal veio até o pátio de sua casa e se encostou numa figueira. Como Alécio tinha prática de arremessar facas, se aproximou do bicho, atirou uma faca, e este saiu uivando enraivecido, e Alécio o seguiu verificando a casa que havia entrado, que era de um amigo seu, homem estranho e muito malvado, recalcado, voltando para casa encontrou a faca cravada na figueira. A partir daí, o homem se fechou com ele, fazendo tudo para provocar uma briga.
Em 1970, o Brasil se tornou campeão mundial de futebol, ou seja, tri-campeão. Foi uma festa muito grande na redondeza com muito foguete, motivo para o seu fulano se irritar e dar 7 tiros no Alécio, pegando um só de raspão nas costelas. Depois disso passou a ameaçá-lo de morte havendo registro na delegacia. Muitos anos se passaram até que cujo personagem morreu e nunca mais a vizinhança avistou tal animal horrível. Ninguém mais viu, mas Alécio, que hoje mora sozinho, recebe a visita de seu inimigo, como uma fumaça em forma de gente que passeia por toda a casa.
Na casa onde morava tal pessoa endiabrada, está uma tapera, porque ninguém conseguiu morar lá. Alécio desafia quem tiver coragem de ficar uma noite lá prometendo dinheiro como recompensa.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013



vídeo do CANTO JAGUARENSE



CANTO JAGUARENSE
Letra: Eduardo A. Soares
Música: Régis Bardini

Quem navega nessas águas
Segue a Mirim na canoa
E vem singrando a lagoa
E o 
rio rumo a fronteira
Traz Jaguarão na bandeira
Traz a esperança na proa.

Quem aos pés da enfermaria
Contempla o dia nascer
Volta a tardinha pra ver
O sol cair no horizonte
E o colar de luz da ponte
Conta a conta se acender.

Cada um tem seu afago
Cada terra sua essência
Agora eu canto o meu pago
Jaguarão minha querência.

Quem a mão semeia a terra
A terra a mão abençoa
Recebe mais do que doa
Faz igual a passarinho
Se em Jaguarão tem um ninho
Volta sempre de onde voa.

Quem da Matriz do Divino
Segue a avenida pro cais
Ouve o canto dos pardais
Nas figueiras do mercado
Roga a Deus ajoelhado
Pra daqui não ir jamais.

Cada um tem seu afago
Cada terra sua essência
Agora eu canto o meu pago
Jaguarão minha querência.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013


Hoje é dia do Pajador Gaúcho


Jayme nos deixou em 1999, se vivo, hoje completaria 89 anos / Foto Divulgação

O dia 30 de janeiro é o Dia do Pajador Gaúcho. A data reconhecida por lei no Rio Grande do Sul, presta homenagem a um dos mais renomados pajadores do estadoJayme Caetano Braun, que nasceu nesta data, em 1924. Ele é considerado o patrono do Movimento Pajadoril, surgido a partir do ano de 2001, com a vigência da Lei 11.676/2001 que cria o Dia do Pajador Gaúcho no Rio Grande do Sul.
Ainda neste dia, em 1903, nascia Vargas Neto em São Borja, considerado o príncipe da poesia gaúcha, Vargas teria influenciado muito na obra de Jayme. Foi poeta, jornalista e radialista. Formou-se em Direito. Exerceu o jornalismo em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Foi o poeta regionalista mais expressivo do Rio Grande do Sul.

A Pajada

Pajada é uma forma de poesia improvisada vigente também na Argentina, no Uruguai e no Chile (onde chama-se Paya). É uma forma de repente em estrofes de 10 versos, de redondilha maior e rima ABBAACCDDC, com o acompanhamento de violão.
A pajada remonta os romances e quadras medievais e renascentistas, trazidos pelos povoadores europeus e adaptadas as tematicas campeiras. A Pajada está presente no sul da América desde quando as fronteiras eram imprecisas, o que impossibilita dar uma nacionalidade ao gênero artístico.
No sul do Brasil, as pajadas são cantadas em versos em Décima Espinela, no estilo recitado com acompanhamento musical de um músico de apoio, normalmente em milonga.
Podemos destacar os pajadores Gaúchos Paulo De Freitas Mendonça, Pedro Junior da Fontoura e Jadir Oliveira, entre os destaques da atualidade.