terça-feira, 31 de janeiro de 2012


Oração do Gaúcho

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e com licença do Patrão Celestial. Vou chegando, enquanto cevo o amargo de minhas confidências, porque ao romper da madrugada e ao descambar do sol, preciso camperear por outras invernadase repontar do Céu, a força e a coragem para o entrevero do dia que passa. Eu bem sei que qualquer guasca, bem pilchado, de faca, rebenque e esporas, não se afirma nos arreios da vida, se não se estriba na proteção do Céu. Ouve, Patrão Celeste, a oração que te faço ao romper da madrugada e ao descambar do Sol: "Tomara que todo o mundo seja como irmão ! Ajuda-me a perdoar as afrontar e não fazer aos outros o que não quero para mim". Perdoa-me, Senhor, porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana, de quando em vez, quase sem querer, em me solto porteira a fora... Êta potrilho chucro, renegado e caborteiro... mas eu te garanto, meu Senhor, quero ser bom e direito ! Ajuda-me, Virgem Maria, primeira prenda do Céu. Socorre-me, São Pedro, Capataz da Estância Gaúcha. Pra fim de conversa, vou dizer meu Deus, mas somente para ti, que tua vontade leva a minha de cabresto pra todo o sempre e até a querência do Céu.

Amém.


Ditos Populares

"A cavalo dado não se olha o pêlo."
"A formiga sabe que erva corta."
"A formiga, quando quer perder-se, cria asas."
"A gato velho camundongo novo."
"A má ovelha deita o rebanho a perder."
"A melancia de manhã é de prata, de meio-dia é de ouro, de noite mata."
"A mulher carioca está sempre bem passada. É como comer churrasco em bandeja."
"A touritos flacos todos pealam."
"Abre teu porco e verás teu corpo."
"Acabou-se o que era doce; quem comeu, regalou-se."
"Aleluia, carne no prato, farinha na cuia."
"Amigo de todos e de nenhum, tudo é um."
"Amor, fogo e tosse, seu dono descobre."
"Antes que cases, vê bem o que fazes."
"Ao assustado a própria sombra assusta."
"Ao meio-dia, panela no fogo, barriga vazia."
"Arrumar china pra descarregar o vinho das bolas."
"As pessoa são qui nem os indivíduo."
"Beleza não me impressiona; conheço muito campo feio que dá boa aguada."
"Berimbau não é gaita."
"Bobagem é espirrar na farofa."
"Boi lerdo bebe água suja."
"Boi que se atrasa bebe água suja."
"Branco em rancho de palha faz desconfiar."
"Brigam as comadres, descobrem-se as verdades."
"Burro velho não toma freio."
"Cachorro comedor de ovelha, só matando."
"Cada hombre, como o cavalo, tem o seu lado de montar."
"Casa sem mulher é casa sem fogão."
"Casco de boi velho, onde senta, não escorrega."
"Cavalo bom e homem valente a gente só conhece na chegada."
"Cavalo manso é pra ir à missa."
"Cavalo torto não dá carreira direita."
"Chimarrão é bom pra clarear a urina e as idéia."
"China de se apresentar pra mãe."
"Churrasco de salgar com avião agrícola."
"Chuva de molhar bobo."
"Com chimango não gasto pólvora."
"Com esta corja, palavra não basta; ponta de faca e bala é que resolve."
"Com quem veste saia - mulher, padre ou juiz - não se brinca."
"Come para viver e não vivas para comer."
"Cuia curtida, mate bom."
"De caldo requentado e de ar encanado, guarda-te como do diabo."
"De cobra não nasce passarinho."
"De grão em grão a galinha enche o papo."
"De onde tu acha que não sai nada é que não sai nada mesmo."
"De reza não sabia um terço."
"Deus os fez, o Diabo os ajuntou."
"Deus tira os dentes, mas alarga a goela."
"Devagar se vai ao longe."
"Dinheiro na mão de pobre é como cuspe em ferro quente."
"Dinheiro, mulher e cavalo de andar, nada de emprestar."
"Dois tatus não fazem casa em um só buraco."
"É capando touro que se tem boi manso."
"É como cachorro de cego. Só matando."
"É na viagem que a bruaca se acomoda."
"Em boca fechada não entra mosca."
"Em mulher e cavalo novo não se mete a espora."
"Em mulher só se bate pra descarregar energia."
"Em tempo de guerra, mocotó é lombo."
"Emprenhar até china de delegado."
"Emprenhar até china de fiscal da Receita."
"Esse, nem pra catar bosta."
"Estômago de porco, paladar de urubu."
"Faca que não corta, pena que não escreve, amigo que não serve, que se perca pouco importa."
"Facão novo se quebra, não se dobra."
"Fala ao teu cavalo como se fosse gente."
"Feliz no jogo, infeliz no amor."
"Filho de gato apanha rato."
"Fogo de palha, chuva de verão e raiva de mulher tem pouca duração."
"Fogo morro acima, água morro abaixo e mulher quando quer dar, ninguém segura."
"Frio de empedrar água de poço."
"Frio de renguear cusco."
"Gato que nasce em forninho não é biscoito."
"Gaúcho macho e grosso não come carne, rói osso!"
"Gaúcho que não churrasqueia é mesmo que mulher-dama que perdeu a xota."
"Gordo e pelechado."
"Guaipeca não se mete em briga de cachorro grande."
"Guri que não teve gonorréia até os quinze anos é puto."
"Hablar, no hablo, pero sapieco um pueco."
"Ir buscar lã e sair tosquiado."
"Isto não é casa de pai Gonzalo, onde a galinha manda mais que o galo."
"Jogo de mãos, jogo de vilões."
"Ladrão que rouba a ladrão, tem cem anos de perdão."
"Macaco velho não mete a mão em cumbuca."
"Mais faz quem quer do que quem pode."
"Mais há quem suje a casa do que quem a varre."
"Mar é igual a campo, com a desvantagem que afunda."
"Me dá uma posição porque o negócio está de pé."
"Mocotó de colar beiço."
"Montado na razão, não se precisa de espora."
"Mulher que pita, se não é francesa, é piguancha."
"Mulher só serve pra três coisas, e pras outras duas tem diarista."
"Mulher, arma e cavalo de andar, nada de emprestar."
"Não abre a mão nem pra espantar mosca."
"Não aquento água pra outro tomar mate."
"Não digas desta água não beberei."
"Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe."
"Não se apanha rato, apertando o rabo do gato."
"Não se aperta quem joga e anda em égua."
"Não sou branco, mas sou franco."
"Não te apotres que domadores não faltam."
"Não vou ficar para semente, mas gosto de andar no mundo."
"Nem toda mulher é vaca, mas toda vaca é mulher."
"Ninguém é perfeito: só santo, e lugar de santo é no altar ou no céu, não neste mundo. Homem sem defeito não é bem homem"
"Numa briga de gaúcho, paulista, mineiro e carioca, o gaúcho bate, o paulista apanha e o mineiro tenta apartar. O carioca fugiu."
"O barato custa caro."
"O diabo faz a panela, mas não faz a tampa."
"O galo aonde canta, aí janta."
"O mundo dá muita volta."
"O que é um boi para quem tem uma estância?"
"O que eu não aprendi dentro do galpão, aprendi atrás do galpão."
"O que não tem remédio, remediado está."
"O que urubu não conhece, não come."
"O sol é o poncho do pobre."
"O tatu procura sempre o seu buraco."
"Onde há fumaça, há fogo."
"Onde se viu o cavalo do comissário perder a corrida?"
"Ovelha é que nem mulher, se não desse pra comer não prestava."
"Ovelha não é para o mato."
"Papagaio come milho periquito leva a fama."
"Para uma bofetada, uma facada."
"Partida de parelheiro, sentada de sendeiro."
"Passar a lingüiça na farinheira."
"Passinho de quem não quer peidar."
"Pata de galinha nunca matou pinto."
"Pau que nasce torto, morre torto."
"Peido de encher bombacha."
"Pela boca morre o peixe."
"Pode tomar o mate que os micróbios são de casa."
"Pra amarrar cavalo no campo e mulher em casa, só carece de um pau firme."
"Pra apertar meus fundilhos, só mão de china."
"Pra besteira e financiamento do Banco do Brasil, sempre se dá um jeito."
"Praga de urubu não mata cavalo gordo."
"Quando a esmola é grande, o pobre desconfia."
"Quando estiveres para embrabecer, conta três vezes os botões da tua roupa."
"Quando falares com homem, olha-lhe para os olhos, quando falares com mulher, olha-lhe para a boca e saberás como te haver."
"Quando o carancho está infeliz, não há árvore que o agüente."
"Quando se pega na rabiça do arado, deve-se ir até o fim do rego."
"Quem a seu inimigo poupa, nas mãos lhe morre."
"Quem com cães se deita, com pulgas se levanta."
"Quem com crianças se deita, amanhece mijado."
"Quem comer a carne, que roa os ossos."
"Quem compra o que não pode, vende o que não deve."
"Quem cospe para o ar, no rosto lhe cai."
"Quem deve a Deus, paga ao diabo."
"Quem diz o que quer, ouve o que não quer."
"Quem dorme na soga, amanhece com fome."
"Quem é lerdo, não come pirão."
"Quem é ruim, não encontra capão para pouso."
"Quem é vivo, sempre aparece."
"Quem faz o cavalo é o dono."
"Quem muito fala, pouco faz."
"Quem muito jura, muito mente."
"Quem muito se agacha, a bunda lhe aparece."
"Quem não arrisca, não petisca."
"Quem não campeia, não acha."
"Quem não chora, não mama."
"Quem não gosta de barulho, não amarra porongo nos tentos."
"Quem não me apóia, não come bóia."
"Quem não te conhece, que te compre."
"Quem não tem bunda, não se senta."
"Quem ordenha bebe o apojo."
"Quem quiser guabiju, que sacuda o galho."
"Quem tem medo, não amarra negro."
"Quem tem vergonha, morre de fome."
"Quem trepa vestido é padre e tartaruga."
"Quer moleza, come minhoca que não tem osso."
"Roupa suja, lava-se em casa."
"Saco vazio não se põe em pé."
"Santo de casa não faz milagres."
"Se estou de bem com a abelha mestra, não me importo que o enxame ronque."
"Se faz de leitão pra mamar deitado."
"Se faz de leitão vesgo pra mamar em duas tetas."
"Se faz de petiço pra comer milho sovado."
"Se tatu visse, carreira não dava."
"Se tem muito dinheiro, coma num cocho."
"Segredo em boca de mulher é manteiga em focinho de cão."
"Só fala inglês pra comprar boi."
"Soldado velho não se aperta, e quando se aperta, deserta."
"Tanta fome que a coalheira enrolou no espinhaço."
"Tanta fome que a tripa grossa comeu a tripa fina."
"Tiro dado, bugio deitado."
"Toda mulher deve lutar pela sua igualdade, desde que não interfira no serviço da casa."
"Touro em campo estranho é vaca."
"Touro em rodeio alheio é vaca."
"Traíra quando não tem que comer, come os parentes."
"Traíra velha só come lambaris."
"Um salto de assustar cusco."
"Vaca de campo não tem touro certo."
"Vaca de rodeio não tem touro certo."
"Vaso ruim não quebra."
"Velho é como forno: se esquenta pela boca."
"Vergonha é roubar e não poder carregar."


Simbolismos gaúchos

::CHAMA CRIOULA::
Como o Fogo Simbólico, que simboliza o espírito do culto à Pátria, a chama Crioula encarna a magnitude da Tradição gaúcha. A Chama Crioula de 1947, transformou-se num símbolo gaúcho, para arder nos Centros de Tradições Gaúchas, nas Semanas Farroupilhas e em outros eventos tradicionais. É a representação do amor ao pago. O ideal do, também símbolo tradicionalista, folclorista Paixão Corte, com aquele primeiro facho traduziu a fertilidade da cultura que se perpetua na ronda legada aos tradicionalistas: a chama da alma gaúcha!

::ERVA MATE::
Entre os símbolos tradicionais do gaúcho, a Ilex Paraguayensis, sem dúvida, é destaque, pois ela é a provedora da seiva que marca o mais ardoroso hábito gauchesco: o de chimarrear.

::ESTRELA BOIEIRA::
Estrela d’Alva, ou Planeta Vênus. A Estrela Boieira surge no poente logo ao anoitecer, e no nascente, pela madrugada, antes do sol raiar. Guia inconstante dos boiadeiros, a estrela d’Alva é o Guia inconstante dos boiadeiros, a estrela d’Alva é o símbolo do gaúcho, que nas tropeadas aprendeu a admirá-la.

::QUERO QUERO::
O tradicional sentinela das coxilhas, pertence à família “Vanellus Chilensis”. Incontestavelmente é, este pernalta ereto, o vigia avançado de cada pago. O quero-quero nunca pousa em árvores, ou palanques, mas somente no solo. Vivendo comumente em casais, jamais abandona seus ninhos e filhotes, defendendo-os bravamente, num exemplo que deveria ser seguido por muitos homens e mulheres. Quando sente-se ameaçado investe-se contra o invasor de seu domínio, com gritos de alvoroço, com vôos rasantes. Com pertinácia, para despistar quem procura localizar seu ninho ou filhote, ele vai gritar, simulando preocupação, longe do local em que os mesmos se encontram.

::ROSA::
A rainha das flores é considerada um símbolo da cultura gaúcha. Aparece na bomba do mate, de cuja nomenclatura dada ao anel, ou refreador, também é conhecido por “botão de rosa”, quando assim estilizado. Pertence à família das Rosáceas, as prendas usam-na no cabelo.

::UMBU::
Da família das fitolacáceas, é uma árvore de grande tamanho, cujas raízes saem à flor da terra, que pela copada, produz excelente sombra. É, como o pinheiro e a figueira, uma árvore simbólica do rio Grande Sul. Seu crescimento é rápido. Seus frutos, em bagas, são nutritivos.

::OUTROS::
Existem coisas, sentimentos, palavras, e seres que simbolizam o gauchismo, mesmo que não oficializados, vamos assim dizer, mas pelo tanto que representam ao tradicionalismo. Os de maior significado, ao nosso entender, são: Boleadeiras, Bombacha, Carreta, Chimarrão, Chiripá, Chula, Churrasco, Estância, Fandango, Farrapo, Figueira, Fogo-de-chão, Gado, Galpão, Gaudério, Guasca, Hospitalidade, Laço, Martín Fierro, Minuano, Missioneiro, Negrinho do Pastoreio, Pago, Pala, Pampa, Pingo, Pinheiro, Querência, Retovar, Sepé-Tiaraju, Sinuelo, Taita, Tapera, Tava, Vaqueano entre outros.
Fonte: Carlos Zatti - Nas restevas do Gauchismo.

Horóscopo Gaudério

A primeira coisa a entender é que não é só tu que existe, tem mais onze loquinho. A segunda, é que não tem signo melhor, nem signo pior. É um pior que o otro.



Áries - 21/03 a 20/04
Bicho mais fogueteiro e metido não tem. Ele atropela todo mundo, que nem bagual solto em feira de porcelana. Tem mania de ser sempre o primeiro. E é: o primero... loco!
Touro - 21/04 a 20/05
Esse, quer ser o maior dos latifundiários: é o dono da estância e das plantação. Se bobear, invade o planeta inteiro. Mas tem desculpa: sabe fazer um doce de abóbora daqueles, e, enquanto mexe as panela, fica te declamando e trovando cosas lindas de sua autoria. Êta, índio animal!!!
Gêmeos - 21/05 a 20/06
Esse vivente só quer prosear, assuntar. É o mascate do Zodíaco, o leva-e-traz. Sabe de tudo, e sabe contá causo que é uma beleza. Não esquenta banco, e parece que tem bicho carpintero. Lá em Brasília, até pouco tempo atrás, tinha um desses (Agora, tem de novo). O índio velho só queria andar de avião, pra lá e pra cá, com a prenda do lado. Uma batata doce, pra quem adivinhá quem é o dito.
Câncer - 21/06 a 21/07
Esse, é chorão que é um inferno. Tem uma memória do cão e se lembra tim tim por tim tim quem ganhou cada Califórnia e cada Grenal. Sabe de cor tudo o que tu disse pra ele naquele 4 de maio de 1984. Mas, é o dono da posada, e o que te prepara o putchero nas noites de Minuano. É dos piores.
Leão - 22/07 a 22/08
Foi por causa desse que inventaram o tal de Complexo de Superioridade. Bicho mais convencido, não há. É o primeiro prêmio em interpretação nos festival, arrasa na chula, é a mais bela prenda, e o rei do gado. Exige respeito, e não consegue ficar na mesma sala com uma tv ligada, pôes que não admite concorrência. Vai ser o chefe da ala dos Napoleão, lá no São Pedro.
Virgem - 23/08 a 22/09
Virge! Cruzes! esse é roxo por limpeza: limpa e lava o que encontrar pela frente. Mas , como só é loco de facero e não de sem-vergonha, pelo menos, nunca foi visto lavando dinheiro nas ilhas Caimãs. Tem cuia própria pro mate, porque é mais higiênico, e tá sempre de vassoura na mão. Parece normal, mas é dos mais maníacos.
Libra - 23/09 a 22/10
É danado de namorador. Só quer pezinho pra cá e pezinho pra lá. Não faz outra cosa. Também adora se metê em política, mas só fica olhando, em cima do muro, enquanto a indiada dá um duro, aqui embaixo. Nem sei se não usa cuecão de florzinha por baixo das bombacha... Mas pode ir tirando o cavalinho da chuva, porque é só frescura. Ele não é veado!
Escorpião - 23/10 a 21/11
O loco dos loco. Prá puxá o facão, não faz cerimônia. Mas, depois de todo o estardalhaço, fica com uma cara de culpado e arrependido que irrita até a mãe dele. Não perde a mania de mexer nos trauma... dos otros. O velho Freud, que também não era dos mais normal, tinha o tal de Ascendente em Escorpião. Esse, nem com banda...
Sagitário - 22/11 a 22/12
O índio aqui, acha que é o verdadeiro Centauro dos Pampas, citado várias vezes pelos nossos historiadores. Se perdeu do seu bando e não sabe se foi perto de Vacaria, ou de Pelotas, de tão loco. Se alguém quiser se comunicar com ele, o email é: coicemanotaç (mogango) pampa.com.rs
Capricórnio - 23/12 a 20/01
Esse é o introvertido! Metido a tímido, mas foi ele quem descobriu o Complexo de Inferioridade. Não quer incomodar e, pra fazer ele entrar no rancho ou se chegar pra roda de chimarrão, é um custo. Não se acha nada, sonha com ele no futuro, que é, quando ele acha que vai existir. Otro que só internando!!!
Aquário - 21/01 a 19/02
Ele quer mudar o mundo. Não muda nem as tela dos galinhero e as lâmpada queimada. Adora uma revolução, um protesto, ou deixar o povaréu de cabelo em pé. No fundo, o que ele quer é aparecê.
Peixes - 20/02 - 20/03
Já esse, o que quer é desaparecer. Vive com a cabeça nas nuvens, viajando... Diz que conversa com a Mboitatá, já viu o Negrinho do Pastoreio, e recebe o Sepé Tiarajú. Mas, o que tem de doido, tem de bonzinho. É só não contrariar.

Autoria: Rose Porto Alegre

Dicionário

A
Abichornado: adj. Aborrecido, triste, desanimado.
Abrir cancha: Abrir espaço para alguém passar.
A cabresto: Conduzido pelo cabresto; submetido.
Achego: Amparo, encosto, proteção.
Açoiteira: Parte do relho ou rebenque, constituída de tira ou tiras de couro, trançadas ou justapostas, com a qual se castigaa o animal de montaria ou de tração.
Acolherar: Unir dois animais por meio de uma pequena guasca amarrada ao pescoço; Unir, juntar, com relação a pessoas.
Afeitar: Cortar a barba. Agregado: Pessoa pobre que se estabelece em terras alheias, com autorização do respectivo dono, sem pagar arrendamento, mas com determinadas obrigações, como sejam cuidar dos rebanhos, ajudar nas lides de campo e executar outros trabalhos.
Água-Benta: Cachaça, destinada a ser bebida ocultamente.
Água-de-cheiro: Perfume, extrato. A laço e espora: Com muita dificuldade, com muito esforço, vencendo grandes obstáculos.
A la cria: Ao Deus-dará, à aventura. Foi-se a la cria, significa foi-se embora, foi-se ao Deus-dará, caiu no mundo. Alambrado: Aramado. Cerca feita de arame para manter o gado nas invernadas ou potreiros.
A la pucha: Exprime admiração, espanto.
À meia guampa: expr. Meio embriagado, levemente ébrio.
Anca: Quarto traseiro dos quadrúpedes. Garupa do cavalo. O traseiro do vacum.
Aporreado: Cavalo mal domado, indomável, que não se dixa amansar. Aplica-se, também ao homem rebelde.
Arranca-rabo: Discussão acalorada, disputa, bate-boca.
Arreios: Conjunto de peças com que se arreia um cavalo para montar.
B
Badana: Pele macia e lavrada que se coloca, na encilha do cavalo de montaria, por cima dos pelegos ou do coxonilho, se houver.
Bagual: Cavalo manso que se tornou selvagem. Reprodutor, animal não castrado.
Baixeiro: Espécie de lã, integrante dos arreios, que põe no lombo do cavalo, por baixo da carona.
Bater as botas: Morrer.
Bicheira: s. Ferida nos animais, contendo vermes depositados pelas moscas varejeiras. Para sua cura, além de medicação, são largamente utilizadas as simpatias e benzeduras.
Bidê: s. Mesinha de cabeceira. (Aportuguesado do francês bidet).
Biriva: s. Nome dado aos habitantes de Cima da Serra, descendentes de bandeirantes, ou aos tropeiros paulistas, os quais geralmente andavam em mulas e tinham um sotaque especial diferente do da fronteira ou da região baixa do Estado. Var.: beriva, beriba, biriba.
Bolicho: Casa de negócios de pequeno sortimento e de pouca importância. Bodega.
Bolicheiro: s. Dono de bolicho.
Braça-de-Sesmaria: Media antiga, de superfície, usada no Rio Grande do Sul. A braça-de-sesmaria mede 2,20 m por 6.600,00 ou seja 14.520,00 metros quadrados.
C
Cabresto: Peça de couro que é apresilhada ao buçal para segurar o cavalo ou o muar.
Cachaço: s. Porco não castrado, barrasco, varrão.
Cacho: A cola, o rabo do cavalo.
Cagaço: Grande susto, medo.
Campo de Lei: Campo de ótima qualidade.
Capão: Diz-se ao animal mal capado; Indivíduo fraco, covarde, vil; Pequeno mato isolado no meio do campo.
Capataz: Administrador de uma estância ou de uma charqueada. Pessoa que nas lides pastoris, é incumbida de chefiar o pessoal.
Carreira: s. Corrida de cavalos, em cancha reta. Quando participam da carreira mais de dois parelheiros, esta toma o nome de penca ou califórnia.
Caudilho: s. Chefe militar ; Manda-chuva.
Cavalo de Lei: Animal muito veloz, capaz de percorrer duas quadras (264m) em 16 segundos ou menos.
Chalana: s. Lanchão chato.
Chimango: Alcunha dada no Rio Grande do Sul aos partidários do governo na Revolução de 1929.
China: Descendente ou mulher de índio, ou pessoa de sexo feminino que apresenta alguns dos característicos étnicos das mulheres indígenas; Cabloca, mulher morena; Mulher de vida fácil; Esposa.
Cincha: s. Peça dos arreios que serve para firmar o lombilho ou o serigote sobre o lombo do animal.
Colhudo: adj. e s. Cavalo inteiro, não castrado. Pastor.; Figuradamente, diz-se do sujeito valente, que enfrenta o perigo, que agüenta o repuxo.
Cuiudo: adj. e s. O mesmo que colhudo.
Cusco: Cão pequeno, cão de raça ordinária. O mesmo que guaipeca, guaipé.
D
Daga: Adaga, facão. De vereda: Imediatamente, de momento, de uma vez.
Dobrar o cotovelo: Beber, levantar o copo à boca.
Doma: Ato de domar. Ato de amansar um animal xucro.
Domador: Amansador de potros. Peão que monta animais xucros.
Duro de boca: Diz-se do animal que não obedece à ação das rédeas.
Duro de Pelar: Difícil de fazer, trabalhoso.
E
Embretado: p. p. Encerrado no brete.; Metido em apertos, em apuros, em dificuldades; enrascado, emaranhado.
Entrevero: Mistura, desordem, confusão de pessoas, animais ou objetos.
Erva-Caúna: Variedade de erva mate de má qualidade, amarga.
Erva-Lavada: Erva já sem fortidão por ter sservido para muitos mates.
Estar com o diabo no corpo: Estar furioso. Estar insuportável.
Estar com o pé no Estribo: Estar prestes a sair.
Estrela-Boieira: Estrela d´alva.
Estribo: s. Peça presa ao loro, de cada lado da sela, e na qual o cavaleiro firma o pé.
Estropiado: Diz-se o animal sentido dos cascos, com dificuldade de andar, em consequência de marchas por estradas pedregosas.
F
Facada: Pedido de dinheiro feito por undivíduo vadío, incapaz de trabalhar, que não pretende restituí-lo.
Facho: O ar livre. Usado na expressão sair do facho.
Fatiota: Conjunto de roupas do homem: calça, colete e paletó.
Fiambre: Alimento para viagem, geralmente carne fria, assada ou cosida.
Fazer a viagem do corvo: Sair e demorar muito a regressar.
Flete: Cavalo bom e de bela aparência, encilhado com luxo e elegância. Funda: Estilingue, bodoque.
G
Gadaria: Porção de gado, grande quantidade de gado, o gado existente em uma estância ou em uma invernada.
Gado chimarrão: Gado alçado, xucro, sem costeio.
Galpão: Construção existente nas estâncias destinadas ao abrigo de homens e de animais; O galpão característico do Rio Grande do Sul é uma contrução rústica, de regular tamanho, em geral de madeira bruta e parte de terra batida, onde o fogo de chão está sempre aceso. Serve de abrigo e aconchego à peonada da estância e a gualquer tropeiro ou gaudério que dele necessite. Gato: Bebedeira, porre, embriaguez.
Gaudério: s. e adj. Pessoa que não tem ocupação séria e vive à custa dos outros, andando de casa em casa. Parasita, amigo de viver à custa alheia.
Graxaim: s. Guaraxaim, sorro, zorro. Pequeno animal semelhante ao cão, que gosta de roer cordas, principalmente de couro cru e engraxadas ou ensebadas, e de comer aves domésticas. Sai, geralmente, à noite. É muito comum em toda a campanha.
Gringo: s. Denominação dada ao estrangeiro em geral, com exceção do português e do hispano-americano.
Guaiaca: s. Cinto largo de couro macio, às vezes de couro de lontra ou de camurça, ordinariamente enfeitado com bordados ou com moedas de prata ou de ouro, que serve para o porte de armas e para guardar dinheiro e pequenos objetos.
Guaipeca: s. Cão pequeno, cusco, cachorrinho de pernas tortas, cãozinho ordinário, vira-lata, sem raça definida. ; Adj. Pequeno, de minguada estatura. ; Aplica-se, também, às pessoas, com sentido depreciativo.
Guapo: Forte, vigoroso, valente, bravo.
Guasca: Tira, corda de couro crú, isto é, não curtido;Homem rústico, forte, guapo, valente. Guasqueaço: s. Pancada, golpe dado com guasca. Relhaço, relhada, chicotada, chibatada, correada, açoite.
Guri: s. Criança, menino, piazinho, serviçal para trabalhos leves nas estâncias.
H
Há Cachorro na Cancha: Significa que há alguma coisa atrapalhando a execução de determinado plano.
Haraganear: Andar solto o animal por muito tempo, sem prestar serviço algum.
I
Invernada: Grande extensão de campo cercado. Nas estâncias, geralmente, há diversas invernadas: para engordar, para cruzamento de raças, etc.
Iguaria: Culinária.
J
Juiz: Pessoa que julga a chegada dos parelheiros, nas carreiras, em cada laço. O mesmo que julgador.
Jururu: Cabisbaixo, tristonho, abatido.
L
Lábia: Abilidade de conversa. Légua: Medida itinerária equivalente a 3.000 braças ou 6.600 metros. O mesmo que légua de sesmaria.
M
Maleva: Bandido, malfeitor, desalmado; Cavalo infiel, que por qualquer coisa corcoveia.
Maludo: Cavalo inteiro, garanhão. Diz-se do animal com grandes testículos.
Mangueira: s. Grande curral construído de pedra ou de madeira, junto à casa da estância, destinado a encerrar o gado para marcação, castração, cura de bicheiras, aparte e outros trabalhos.
Manotaço: Pancada que o cavalo dá com uma das patas dianteiras, ou com ambas; Bofetada, pancada com a mão dada por pessoa.
N
Negrinho: Designação carinhoso que se dá a crianças ou a pessas que se tem afeição.
Num Upa: Num abrir e fechar de olhos; De golpe; Rapidamente.
O
Oigalê: Ezprime admiração, espanto, alegria.
Orelhano: Animal sem marca, nem sinal.
P
Paisano: Do mesmo país; Amigo, camarada.
Palanque: s. Esteio grosso e forte cravado no chão, com mais de dois metros de altura e trinta centímetros aproximadamente de diâmetro, localizado na mangueira ou curral, no qual se atam os animais, para doma, para cura de bicheiras ou outros serviços.
Papudo: s. e adj. Indivíduo que tem papo. Balaqueiro, jactancioso, blasonador. O termo é empregado para insultar, provocar, depreciar, menosprezar outra pessoa, embora esta não tenha papo.
Passar um pito: Repreender, descompor.
Patrão: Designação dada ao presidente de Centro de Tradições Gaúchas.
Patrão-Velho: Deus.
Pelea: s. Peleja, pugilato, contenda, briga, rusga, disputa, combate, luta entre forças geligerantes. Pelear: v. Brigar, lutar, combater, pelejar, teimar, disputar.
Petiço: s. Cavalo pequeno, curto, baixo.
Piá: s. Menino, guri, caboclinho.
Piquete: s. Pequeno potreiro, ao lado da casa, onde se põe ao pasto os animais utilizados diariamente.
Poncho: s. Espécie de capa de pano de lã, de forma retangular, ovalada ou redonda, com uma abertura no centro, por onde se enfia a cabeça. É feito geralmente de pano azul, com forro de baeta vermelha. É o agasalho tradicional do gaúcho do campo. Na cama de pelegos, serve de coberta. A cavalo, resguarda o cavaleiro da chuva e do frio.
Potrilho: s. Animal cavalar durante o período de amamentação, isto é, desde que nasce até dois anos de idade. Potranco, potreco, potranquinho.
Q
Queixo-Duro: Cavalo que não obedece facilmente a ação das rédeas.
Quero-Mana: Denominação de antigo bailado campestre, espécie de fandango. Canto popular executado ao som de viola.
R
Rebenque: s. Chicote curto, com o cabo retovado, com uma palma de couro na extremidade. Pequeno relho.
Regalo: Presente, brinde.
Relho: Chicote com cabo de madeira e açoiteira de tranças semelhantes à de laço, com um pedaço de guasca na ponta.
Reponte: Ato de tocar por diante o gado de um lugar para o outro. Repontar: v. Tocar o gado por diante de um lugar para outro.
S
Sair Fedendo: Fugir à disparada.
Sanga: s. Pequeno curso d'água menor que um regato ou arroio.
Selin: Sela própria para uso da mulher.
Sesmaria: Antiga medida agrária correspondente a três léguas quadradas, ou seja a 13.068 hectares. São 3000 por 9000 braças; ou 6.600 por 19.800 metros; ou ainda, 130.680.000 metros quadrados.
Soga: s. Corda feita de couro, ou de fibra vegetal, ou, ainda, de crina de animal, utilizada para prender o cavalo à estaca ou ao pau-de-arrasto, quando é posto a pastar. ; Corda de couro torcido ou trançado, que liga entre si as pedras das boleadeiras. ; O termo é usado também em sentido figurado.
Surungo: s. Arrasta pé, baile de baixa classe, caroço.
T
Taco: Diz-se ao indivíduo capaz, hábil, corajoso. guapo.
Taipa: s. Represa de leivas, nas lavouras de arroz. Cerca de pedra, na região serrana.
Taita: Indivíduo valentão, destemido, guapo.
Tala: Nervura do centro da folha do jerivá. Chibata improvisada com a tala do jerivá ou com qualquer vara vlexivel.
Talagaço: Pancada com tala. Chicotaço.
Talho: s. Ferimento.
Tapera: s. Casa de campo, rancho, qualquer habitação abandonada, quase sempre em ruínas, com algumas paredes de pé e algum arvoredo velho. Adj. Diz-se da morada deserta, inabitada, triste.
Tirador: s. Espécie de avental de couro macio, ou pelego, que os laçadores usam pendente da cintura, do lado esquerdo, para proteger e o corpo do atrito do laço. Mesmo quando não está fazendo serviços em que utilize o laço, o homem da fronteira usa, freqüentemente, como parte da vestimenta, o seu tirador que, por vezes, é de luxo, enfeitado com franjas, bolsos e coldre para revólver.
Tosa: s. Tosquia, toso, esquila.
TRADIÇÃO GAÚCHA: Vocábulos usados no plural, significando o rico acervo cultural e moral do Rio Grande do Sul no campo literário, folclórico, musical, usanças, adagiário, artesanato, esportes e atividades culturais.
Tranco: Passo largo, firme e seguro, do cavalo ou do homem.
Tramposo: Intrometido, trapaceiro, velhaco.
Trem: Sujeito inútil.
Três-Marias: Boleadeiras.
Tronqueira: s. Cada um dos grossos esteios colocados nas porteiras, os quais são providos de buracos em que são passadas as varas que as fecham.
Tropeiro: s. Condutor de tropas, de gado, de éguas, de mulas, ou de cargueiros. Pessoa que se ocupa em comprar e vender tropas de gado, de éguas ou de mulas. Peão que ajuda a conduzir a tropa, que tem por profissão ajudar a conduzir tropas. O trabalho do tropeiro é um dos mais ásperos, pois, além das dificuldades normais da lida com o gado, é feito ao relento, dia e noite, com chuva, com neve, com minuano, com soalheiras inclementes, exigindo sempre dedicação integral de quem o realiza.
U
Uma-de-pé: Uma briga, conflito, luta.
Urupuca: Armadilha para pegar passarinhos; Trapaça.
Usted: Você. Usado só na fronteira.
V
Vacaria: Grande número de vacas; Grande extensão de campo que os jesuítas reservavam para criação de gado bovino.
Varar: Atravessar, cruzar.
Vareio: Susto, sova, surra, repreensão.
Vaza: Vez, oportunidade.
Vil: Covarde, desanimado, fraco.
Vivente: Pessoa, criatura, indivíduo.
X
Xepa: Comida.
Xerenga: Faca velha, ordinária.
Xiru: O mesmo que chiru.
Xucro: Diz-se ao animal ainda não domado, bravio arrisco.
Z
Zarro: Incômodo, difícil de fazer, chato.
Zunir: Ir-se apressadamente.