segunda-feira, 14 de maio de 2012

Aniversário General Manuel Luis Osório , 11 de Maio




 Manuel Luís Osório nasceu em 10 de maio de 1808, em terras que pertenciam à Vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio (RS), que, posteriormente, tomou o nome de Osório, pelo motivo do seu nascimento naquelas plagas. Por ser um território muito extenso, foi dividido em dois: um abrangendo o litoral, o qual foi denominado Tramandaí; e outro o interior, que permaneceu com o nome de Osório. Embora as comissões demarcadoras tivessem se empenhado em deixar o local de nascimento de Manuel Luís Osório no Município batizado em sua homenagem, pesquisas realizadas por um grupo de oficiais lidarados pelo Coronel de Cavalaria Edson Boscacci Guedes, então Chefe do Estado-Maior da 3ª Região Militar, localizaram a casa onde nascera o marquês do Erval, no município de Tramandaí, próximo aos limites com Osório, local transformado em Parque Histórico com o seu nome.[3]
Manuel Luís Osório foi criado na fazenda do avô materno. Seu pai, Manuel Luís da Silva Borges, filho do casal descendente de açorianos Pedro Luís e Maria Rosa da Silveira, ambos naturais da freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, na ilha de Santa Catarina, era um destacado e condecorado militar que lutou no Estado Oriental (atualUruguai) nas guerras de 1811 e no período de 1816 a 1821. Sua mãe, Ana Joaquina Luísa Osório, filha do tenente Tomás José Luís Osório e de Rosa Inácia Joaquina Pereira de Sousa, era natural de Santo Antônio da Patrulha e vinha de família proprietária de terras. A gleba de seus pais situava-se próxima à Lagoa dos Barros, local onde hoje está oParque Marechal Osório.
Quarto filho de uma humilde família de 14 filhos, aprendeu a ler e escrever sem ter feito estudos regulares. Em 1º de maio de 1823, com 15 anos incompletos, alistou-se como voluntário na Cavalaria da Legião de São Paulo e acompanhou o regimento de seu pai na luta contra as tropas portuguesas do brigadeiro Dom. Álvaro da Costa, estacionadas naCisplatina (atual Uruguai), durante a Guerra da Independência do Brasil (1822 - 1823). Contava apenas 15 anos quando teve seu batismo de fogo à margem do arroio Miguelete (13 de maio), nas proximidades de Montevidéu, em um combate contra a cavalaria portuguesa. Um ano depois, foi designado cadete e, mais tarde, alferes do 3º Regimento de Cavalaria da primeira linha.
Rótulo de cigarros com litografia de Osório, que participou de todas as lutas ocorridas no sul do país desde 1825, distinguindo-se em Sarandi (1825), Passo do Rosário (1828), na Revolução Farroupilha(1835 - 1845) e na batalha de Monte Caseros (1852).
Em 1824, inscreveu-se na Escola Militar. Preparava-se para seguir os estudos militares quando sua inscrição foi anulada devido à guerra iminente no Sul do país. Teve de enfrentar nova campanha, na Guerra Cisplatina, entre 1825 e 1828. Em 12 de outubro de 1825, junto aoarroio Sarandi, sob o comando de Bento Manuel, o Alferes Osório combateu os orientais à testa de seus lanceiros e se destacou não apenas por ser o único oficial do seu esquadrão a sobreviver à batalha de Sarandi, mas também por salvar a vida de seu comandante, que proferiu: "Hei de legar-lhe, Alferes, a minha lança, porque a levará aonde tenho levado". A lança hoje pertence ao acervo do 3º RCGd- "Regimento Osório" - e é empunhada pelos seus comandantes em atividades festivas.
No início de 1827, Osório continuava em campanha na região de Santana do Livramento. Em 20 de fevereiro de 1827, na Batalha de Passo do Rosário (Ituzaingó), seus lanceiros foram o único corpo de tropa brasileira que não foi desbaratado durante a batalha. Em outubro, foi promovido a tenente e participou das conversações de paz com a desanexação da Cisplatina e reconhecimento da independência do Uruguai, acompanhando o General Lecór.
Firmada a paz, recolheu-se com seu regimento a Rio Pardo, onde passou a morar, consagrando-se à política pelo Partido Liberal. Em15 de outubro de 1835casou-se com a Sra. Francisca Fagundes, tendo como padrinho Emílio Mallet, que, posteriormente, lutaria a seu lado na Campanha da Tríplice Aliança. Em 1835, irrompia na província gaúcha a Guerra dos Farrapos, caracterizada por agitações separatistas que, por dez anos, ameaçou a unidade do Império. O tenente Osório, à época, servia o 2º Corpo de Cavalaria, na Vila deBagé, sob o comando do capitão Mazzaredo, que abandonou a praça e entregou-a aos farrapos. Osório conduziu seu superior até a fronteira e apresentou-se depois ao coronelBento Manuel Ribeiro.
De espírito liberal, Osório teve simpatia pela causa farroupilha, combatendo iniciando ao lado dos rebeldes, até a proclamação da República Rio-grandense (República de Piratini), em 1836, quando o movimento tomou feição separatista, o que ele não aceitou, motivo pelo qual integrou-se ao Exército Imperial, no qual permaneceu até o fim da revolta.[4]Participou, ainda, nos combates contra os rebeldes em Porto AlegreCaçapava e Erval. Tornou-se capitão em 1838 e major em 1842. Em 1844, solicitou a sua reforma, mas o Exército não querendo dispensá-lo, nomeou-o tenente-coronel. Auxiliou Caxias na feitura da paz de Poncho Verde, que se selou em 25 de fevereiro de 1845. Finda a Revolução Farroupilha, o imperador Dom Pedro II, ainda muito jovem, decidira visitar a Província com o fito de consolidar a paz firmada. Caxias confiou a Osório a delicada missão:
O 2º Regimento, reorganizado e adestrado pelo próprio Osorio, escoltar o Imperador através da campanha, desde a Vila de Cachoeira até São Gabriel, na ida e na volta
Litografia da Batalha de Monte Caseros, por Victor Meirelles (1832 - 1903). A figura central é o coronel Manoel Luís Osório, futuro marquês do Erval.
"Osorio, é o maior guasca da Província que mais naipes ganhou e louros colheu na batalha de Monte Caseros."
— Conde de Caxias, Comandante-em-Chefe do Exército Imperial.
Em 1851, Manuel Osório é enviado mais uma vez a Montevidéu em virtude de nova instabilidade na região do escoadouro do Prata, intervindo com seu regimento contra o presidente argentino Rosas e uruguaio Oribe (Guerra contra Oribe e Rosas1851 - 1852). Comotenente-coronel, comandou o Exército brasileiro que invadiu o Uruguai. Evidenciou-se ao derrotar o ditador Rosas na Batalha de Monte Caseros, ocorrida nos subúrbios de Buenos Aires em 3 de fevereiro de1852. Promovido a Coronel no campo de batalha, por merecimento, em 3 de março de 1852, esteve a servir, durante alguns anos, no Rio Grande do Sul.
No início de 1855, após breve instalação na guarnição do Jaguarão, Osório foi nomeado para comandar a fronteira de São Borja. Promovido a brigadeiro-graduado em dezembro de 1856, logo depois foi incumbido de organizar uma expedição para descobrir ricos ervais, entre os rios Pindaí e Sebolati, no Alto Uruguai. Bem sucedido na missão, veio a receber mais tarde o título nobiliárquico: marquês do Erval. Mais tarde, foi designado inspector de cavalaria do Norte do Brasil, onde permaneceu por pouco tempo.
As agressões de Solano Lopez ao Brasil e à Argentina motivaram, em 1865, a assinatura do Tratado da Tríplice Aliança (BrasilUruguai e Argentina) contra o Paraguai. Ao eclodir a Guerra da Tríplice Aliança (1864 - 1870), Osório era o militar de maior prestígio no Prata, tendo atuado ininterruptamente por 42 anos em campanhas sucessivas. Por conta disso, recebeu, em 1º de março de 1865, o comando do I Corpo do Exército Imperial, instalando seu quartel general em Paissandu. Por força do acordo da Tríplice Aliança, entretanto, o comando geral das operações foi entregue ao general argentino Bartolomé Mitre, com quem Osório nem sempre se entendia bem.
A Rendição de Uruguaiana, por Victor Meirelles (1832 -1903).
Em 8 de julho de 1865, é promovido a marechal-de-campo e participa da retomada de Uruguaiana. Em 18 de setembro, na presença de D. Pedro II, do Conde d'Eu e de vários oficiais-generais, dentre eles Osório e Caxias, ocorre a Rendição de Uruguaiana.
"É fácil a missão de comandar homens livres: basta mostrar-lhes o caminho do dever."
— trecho da Ordem do Dia, no Passo da Pátria, de 15 de abril de 1866.
No início de 1866, Osório estuda com Tamandaré a maneira de atravessar o Rio Paraná. Na noite do dia 16 de abril, a tropa brasileira (10.000 homens) realiza a passagem no local conhecido por Passo da Pátria, sendo Osório o primeiro a pisar no solo inimigo.
Em 2 de maio de 1866, participou do Combate de Estero Bellaco, uma depressão de terreno pela qual as águas do rio Paraná se unem às águas do Rio Paraguai, onde o inimigo passou a retardar as tropas aliadas, buscando melhor posição para combater. Esteve presente, em 24 de maio de 1866, na Batalha de Tuiuti, o maior combate travado na América do Sul, na qual teve importante papel ao comandar o centro do dispositivo militar do exército brasileiro contra o ataque paraguaio. Registrou na Ordem do Dia nº 56: "A glória é a mais preciosa recompensa dos bravos". Em 15 de julho de 1866, ainda em Tuiuti, os aliados aguardavam a chegada das forças do General Porto Alegre, enquanto o inimigo fustigava diariamente. Gravemente ferido na batalha de Tuiuti e insatisfeito com o longo período da tropa estacionada, Osório passa o comando das tropas brasileiras ao General Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão.
Manuel Luís Osório, marquês do Erval.
De julho desse ano a julho do ano seguinte, ficou no Rio Grande do Sul, reunindo novos contingentes para o Exército. Em 1º de junho de1867, é promovido a Tenente-General, penúltimo posto da hierarquia militar. Em 25 de julho, Osório retorna a vanguarda aliada, como comandante do III Corpo do Exército Imperial. Por essa época, o marechal-de-exército Luís Alves de Lima e Silva, então marquês de Caxias, encontrava-se como comandante das forças brasileiras no teatro de guerra. A relação entre ambos sempre foi boa e cordial já que eram amigos de longa data. Osório, inclusive, tomou parte no planejamento das operações contra a Fortaleza de Humaitá, que bloqueava o avanço das forças aliadas rumo a Assunção. No comando de suas tropas, Osório dirigiu a marcha de Tuiuti a Tuiu-Cuê, avançando contra as trincheiras e pontos fortes que circundavam Humaitá e a protegiam contra ataques. Em 25 de julho, Osório ocupa aFortaleza de Humaitá e substitui a bandeira abandonada pela bandeira brasileira, instalando ali a sede do 3º Corpo do Exército e sua nova base de operações.
Manuel Luís Osório na Batalha de Avaí.
Com o retorno da guerra de movimentos após a queda de Humaitá, Osório participou ainda das batalhas de Itororó e Avaí em dezembro de 1868. Nesta última, ao tomar toda a posição de artilharia inimiga, é alvejado na face por um inimigo de tocaia, fraturando o maxilar. Na ocasião, disse: "Coragem, camaradas! Acabem com este resto!". Para que seus soldados o supusessem no comando e não desanimassem, sua caleça vazia foi mantida à frente das tropas. Doente, Osório foi substituído pelo General Polidoro da Fonseca e regressou ao Brasil para recuperar do ferimento, não tendo sido possível presenciar a queda de Assunção, em janeiro de 1869.
Em 22 de março de 1868Gastão de Orléans, conde d'Eu, genro do Imperador D. Pedro II, é nomeado Comandante-chefe das forças em operação no Paraguai. A convite do novo comandante das forças brasileiras, Osório retorna ao Paraguai, assumindo, em 6 de junho, o 1º Corpo do Exército, estacionado em Piraju, para dar início à Campanha das Cordilheiras. O Conde D'Eu, um dos seus grandes admiradores, viria a tornar-se aliado de Osório nas incessantes batalhas pela modernização das Forças Armadas brasileiras ao longo da década de 1870[5].
Em 12 de agosto, deu-se o assalto e a captura das Fortificações de Peribebuí, defendidas por 1.500 homens e 15 bocas de fogo. No dia 24 de novembro de 1868, Osório deixa em definitivo a campanha, forçado pela piora de sua saúde.No retorno, na passagem por Montevidéu, recebe a notícia do falecimento de sua esposa.
Osório obteve o título de barão em maio de 1866 e o de visconde com grandeza em 1868. No ano seguinte, antes de findar a guerra, recebeu o título de marquês de Erval. Em agosto de 1871Deodoro da Fonseca entregou-lhe solenemente, emPorto Alegre, custosa espada de honra, uma obra prima de ourivesaria, cinzelada em ouro e ornada de brilhantes, custeada pelos oficiais comandados por Osório na guerra. Na lâmina, de aço, estavam gravadas as batalhas e combates em que Osório participara.
Rótulo de cigarros dedicados ao marquês do Erval.
Finda a Guerra, nas quatro primeiras décadas que se seguiram, a vitória na Batalha de Tuiuti, considerada a mais importante da campanha, foi a principal comemoração militar brasileira, sendo que nas comemorações, destacava-se como principal herói o general Osório.[6] Somente na década de 1920 o movimento militar resgatou a figura do Duque de Caxias como líder da Guerra do Paraguai.[7]Apesar de militar e político influente, atravessou a década de 1870, o último decênio de sua vida, sob a pressão de dívidas. [8]
Com a paz, em 11 de janeiro de 1877, Osório foi nomeado pela Princesa Isabel Senador do Império pela Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, sua terra natal. Em discurso no Senado, declara: "A farda não abafa o cidadão no peito do soldado". Apesar derepublicano em sua juventude, acabou por converter-se ao credo monarquista, tornando-se um dos seus mais ferrenhos defensores, como assim deixou claro ao barão de Cotegipe, em 15 de abril de 1879[5]:
Cquote1.svg[...] sou, de longa data, liberal monarquista, unionista do Império do Brasil. Não pense que vou para aRepública, nem para o despotismo; mas direi ao nobre senador, que em matéria de serviço público eu não indago o que são brasileiros na política, porém, sim, se cumprem o seu dever em bem da Pátria.Cquote2.svg
— Em sessão noSenado, poucos meses antes de falecer
Por decreto de 2 de junho de 1877, foi-lhe outorgada a patente de Marechal-de-Exército Graduado. Com a ascensão do Partido Liberal ao poder, Osório foi nomeado Ministro da Guerra no gabinete Sinimbu em 1878. Permaneceu no cargo até a sua morte, em 4 de outubro de 1879, no Rio de Janeiro - RJ, aos 71 anos de idade, doente com pneumonia.
Com o seu falecimento, seguido por de outros militares monarquistas fieis a dom Pedro II, como Luís Alves de Lima e Silva (duque de Caxias) e Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão (visconde de Santa Teresa), abriu espaço para uma nova geração de militares, que sofreram forte influência dos militares caudilhistas e insubordinados dos países vizinhos e que eram em sua maior parte indiferentes a Monarquia quando não opositores. Apesar de ter falecido dez anos antes do advento da República no Brasil, é possível saber sua opinião quanto aos atos de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto (ambos veteranos da Guerra do Paraguai), que além de terem se insubordinado e traído o governo legal, tornaram-se também os dois primeiros presidentes e ditadores do país[5]:
Seria um desgraçado aquele que, depois de haver combatido com as armas da guerra o inimigo externo, pusesse depois essas mesmas armas ao serviço do despotismo, de perseguições e violência contra seus compatriotas.
Rótulo de cigarros dedicado ao General Osório.
O esquife com seus restos mortais, embalsamado, foi colocado na capela do Arsenal de Guerra, hoje destruído. Em 16 de novembro de1879, seus restos mortais foram levados para o Asilo dos Inválidos da Pátria, na Ilha do Bom Jesus da Coluna, onde permaneceram até o translado para a Igreja de Santa Cruz dos Militares, em 3 de dezembro de 1887. Em 21 de julho de 1892, seu corpo foi transferido para a cripta construída sob sua estátua equestre, fundida com o bronze de canhões tomados na Campanha da Tríplice aliança, na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro. Finalmente, em 1º de dezembro de 1993, deu-se início ao solene translado dos restos mortais do Marechal Osório, passando pelos Municípios de PelotasRio Grande e Porto Alegre. Em 11 de dezembro, seu corpo foi depositado no jazigo nas proximidades da casa onde nasceu, já no interior do parque histórico.
Ao longo de sua vida foi agraciado com os títulos de barão do Erval (1 de maio de 1866), visconde do Erval (11 de abril de 1868) e demarquês do Erval (29 de dezembro de 1869). Foi casado com Francisca Fagundes, de quem teve quatro filhos: Fernando Luís Osório(1848-1896), Adolfo Luís Osório (1847-?), Manuela Luísa Osório (1851-1930) e Francisco Luís Osório (1854-1910)..




quarta-feira, 9 de maio de 2012


Danças e Ritmos


As danças ocupam um espaço nobre dentro do tradicionalismo gaúcho. Tanto como expressão de emotividade quanto uma manifestação de arte, que requer técnica e habilidade. Desde os primórdios, a dança se constitui num exercício para corpo e um descanso para espírito. A topografia do terreno, a vestimenta, o espírito, a idiossincrasia e a emotividade do indivíduo, foram os pontos de apoio em que se assentaram as bases para a formação coreográfica que se criou em cada setor do universo. Segue algumas danças e ritmos:

Anu: Dança típica do fandango gaúcho, o anu foi dança predileta do gaúcho Sul-Rio-Grandense, em meados do século passado. A partir daí se amoldou às características desta nova geração coreográfica, com nítida influência das danças platinas sob comando. É legítima dança de pares soltos, mas não independentes.

Balaio: O balaio é brasileiro da gema e procede do Nordeste. O balaio guarda nitidamente a feição de nossos velhos lundus que criaram, no Nordeste do Brasil, o baião ou baiano. O nome “balaio” origina-se do aspecto de cesto que moças dão as suas saias, quando o cantador diz: “moça que não tem balaio, bota a costura no chão”. Trata-se de dança sapateada e, ao mesmo tempo, dança de conjunto.

Bugio: Este ritmo puramente gaúcho, rude como animal das indomáveis querências, brotou da gaita 48 baixos de Neneca Gomes – Wencelau da Silva Gomes – nas serras de Mato Grande, 5.º distrito de São Francisco de Assis, o umbigo Rio Grande do Sul, como denominava Getúlio Vargas esta região. Muito popular nestes pagos por suas habilidades musicais, Neneca Gomes procurou imitar o ronco do Bugio por volta de 1928, tendo em seguida chegado numa espécie de canto cadenciado que levou o nome de “os Três Bugios”, em homenagens a estes bichos domesticados que tinha em casa. A música muito popular entre os gaiteiros da região missioneira de São Francisco de Assis, Santiago. Bossoroca, Jaguarí e São Borja, ganhou impulso e notoriedade maior a partir dos estudos musicais realizados por Paixão Cortes e Barbosa Lessa e, posteriormente, com a gravação dos irmãos Bertussi e um pouco mais tarde a divulgação feita pelo músico Leonardo. O Bugio é uma composição de notas retratando a vida simples da campanha onde a dança permanece muito cultuada embora a música tenha ganho as cidades. “O Bugio é cantado em diversas facetas. Em momentos representa o piá arteiro, peão destemido, moço faceiro etc. Noutra o próprio animal, numa defesa e valorização ecológica da fauna gaúcha.

Cana-Verde: A “Cana-verde” chegou de Portugal, e se tornou popular em vários estados brasileiros. Naturalmente foi adquirida cores locais, em cada região e dessa forma produzindo variantes da dança-origem. A coreografia foi a mais difundida no nordeste e litoral do Rio Grande do Sul.

Chimarrita ou Chamarrita: Com os nomes de Chama-Rita, foi introduzida pelos colonos açorianos ao inicio da formação do Riu Grande do Sul. Desde a sua chegada, a “chamarrita" foi-se amoldando às subseqüentes gerações coreográficas. Do Rio Grande do Sul (e de Santa Catarina), a dança passou ao Paraná, ao Estado de São Paulo, bem como às províncias argentinas de Corrientes e Entre-Rios, onde ainda hoje são populares as variantes “Chamarrita e Chamamê”.

Chote de duas damas: Bonita variante do chote, em que o homem dança com duas damas simultaneamente. Essa presença de duas mulheres não é raridade: antigas danças germânicas também foram assim, os platinos tiveram o “palito”, e na cidade de São Paulo dançou-se da década de 20 um “chote militar” com duas damas. Não necessita de melodia específica, dança-se ao som de um chote comum. Por nós é dançada com partitura de “Chote Laranjeira”.

Chote Inglês: Dança de salão difundido nas cidades brasileiras ao final do século XIX. Suas melodias, excutadas ao piano nos centros urbanos, chegaram a ser conhecidas no meio rural. Registramos algumas variantes de chote inglês em várias regiões do Rio Grande do Sul.

Chula: Um dos mais importantes livros-de-viagem referente ao Estado do Rio Grande do Sul – a “Notícia Descrita da Província do Rio Grande de São Pedro do Sul,” escrita por Nicolau Dreys em 1817 e publicada em 1839 - foi acentuado por uma passagem da obra, em que o viajante nos fala que a sociedade dos gaúchos era uma sociedade sem mulheres. Naquela época, “gaúcho” era um termo pejorativo indígena, homem sem lar e sem querência – bem distinto do campeiro das estâncias, apegado à terra e à família. O tempo passa-se em jogar, tocar ou escutar uma guitarra n’ alguma pulperia, e às vezes, dançando chula, sem a participação de mulheres, enfim a chula é dança de agilidade masculina ou de habilidade sapateadora, em que os executantes demonstram suas qualidades individuais.

Dança dos Facões: Danças de esgrima, em que, ao invés de porretes ou bastões, se usam espadas ou facas de verdade, são registradas na Ásia, na Europa Oriental, na África muçulmana, em regiões onde se encontram aglomerados predominantemente masculinas. Cada dançarino mune-se de dois facões, afiados, e as evoluções exigem destreza, acuidade, reflexos rápidos.

Malambo: Tradicional sapateado argentino, executado apenas por homens. Do folclore o malambo passou ao teatro tradicionalista argentino e hoje foi incorporado, com muito entusiasmo às festas típicas dos tradicionalistas uruguaios e sul-riograndeses. Além de uma melodia tradicional, inconfundível, há várias melodias de malambo criadas por eméritos compositores platinos, dando oportunidade ao surgimento de notáveis criações coreográficas, artísticas, onde os dançarinos fazem malabarismo com base no tema folclórico original.

Maçanico: Com o nome “Maçanico” surgiu no Estado de Santa Catarina e daí passou ao nordeste e litoral do Rio Grande do Sul. É uma de nossas danças mais animadas. O nome maçanico é corruptela de maçanico, ave das lagoas.
Pau-de-fitas: Nenhuma dança, como o “Pau-de-fitas”, pode merecer, com tamanha propriedade, o nome “dança universal”, e é de todo infrutífero, ao pesquisador, tentar buscar-lhe o ponto geográfico de origem, pois a “dança das fitas” parece surgir de todos os lados e em todos os povos. A tese mais acertada é a do folclore argentino Carlos Veja que vê na “dança das fitas” uma sobrevivência das solenidades de cultura às árvores, tão disseminada entre os povos primitivos.

Pericóm: Como reflexo do que ocorrera em Paris e em toda América, surgiu no Prata, na primeira dança de um conjunto chamada “Pericom”. Da província de Entre-rios e a Banda da Oriental do Uruguai o ”Pericom” passou à campanha do Rio Grande do Sul. Na fronteira entre o Brasil e o Uruguai.

Pezinho: O “Pézinho” constitui uma das mais simples e ao mesmo tempo uma das mais belas danças gaúchas. Como dança e como elemento de festas, foi e é ainda muito popular em Portugal e nos Açores, veio a gozar de intensa popularidade no litoral dos estados brasileiros de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Ratoeira: Dança em formação de roda, aparentada com as cirandas, que se difundiu nas áreas de cultura açoriana do Estado de Santa Catarina. No Rio Grande do Sul sua presença foi assinalada apenas no litoral-norte e planalto de Vacaria

Rilo: Paris importou juntamente com as contradanças uma dança da Escócia chamada ‘reel’ em formação de roda e utilizando a figura do 8, com o nome ’ril’ a dança foi apreciada nos salões brasileiros em meados do século passado e daí chegou aos meios rurais rio-grandenses, onde a denominação foi aportuguesada para ‘rilo’.
Roseira: Uma das danças regionais sul-rio-grandenses onde se percebe maior parentesco com danças regionais de Portugal, numa confirmação de tese do foco de origem comum.

Sarrabalho: É uma das danças gaúchas mais características da geração coreográfica de pares soltos, com o homem parecendo perseguir à mulher, ambos castanholando com os dedos, forte sapateado, tudo de acordo com a longínqua origem ibérica.
Tatu, com volta no meio: Nos primeiros tempos, o “tatu”, como legítima dança do fandango, consistia num sapateado pelos pares soltos, sem maiores características. Posteriormente, o “tatu” sofreu a intromissão, em sua coreografia, da “Volta-no-Meio” – uma dança que tornou popular no Brasil em meados do século passado.

Tatu Novo: Em 1954, quando da visita de Porto Alegre da Sociedade Crioulla El Pericón, de Montevidéu, foi prestada uma homenagem aos visitantes com uma dança nova, deliberamente montada pelo CTG “35” para assinalar aquele grato encontro. Trata-se de uma adaptação à música do “Anuário”, com base do antigo sapateado à gaúcha. Essa criação coreográfica tornou a ser apresentada posteriormente, por outros grupos, e ganhou nos círculos tradicionais o nome de tatu “novo”.
Tirana do Lenço: A “tirana” foi uma das danças espanholas mais difundida na América Latina. Afirma-se que a “tirana” nasceu em Madri, em 1773, lançada pela cantora Maria Rosário Fernandez, esposa de um ator cognominado “El Tirano”.

Caranguejo: Diz Oneyda Alveranga que o “caranguejo foi popular no país todo e sobre ele há referência desde o século XIX. É dança grave, de pares dependentes, lembrando uma muito possível origem no minueto. No Rio Grande do Sul o primeiro registro musical foi feito por Alcides Cruz, para o “Anuário do Rio Grande do Sul”, de 1903.

Rancheira: É uma versão da mazurca, muito divulgada no séc. XIX em toda a comunidade européia. Este ritmo é também muito conhecido no sul da Argentina como ranchera ou, inicialmente, “mazurca de rancho”.No Rio Grande do Sul, segundo Paixão Cortes e Babosa Lessa, a divulgação deste ritmo se deu em maior escala com o aparecimento do rádio, sendo uma versão regional da mazurca polonesa. Sua coreografia é executada de três maneiras: primeiro como uma espécie de valsa, típica da fronteira; depois, à maneira serrana, a rancheira sendo dançada com maior vitalidade, com forte marcação na primeira batida; finalmente, ela é dançada no litoral, onde sua forma mais usada é a marchadinha, ou seja, com passos duplos de terol (segundo Paixão Cortes e Barbosa Lessa são passos duplos de marcha), onde o homem empurra e puxa a mulher e onde o par se segura nos cotovelos, como a Chimarrita Balão (dança do folclore gaúcho).Na primeira maneira de dançar, ou seja, na rancheira da fronteira, a marcação é como valsa, ma com a diferença de que é feita uma forte marcação no primeiro passo, no tempo mais forte da música, maneira esta mais utilizada na fronteira do Estado. A segunda é a rancheira serrana, cujo passo é executado saindo do chão, com vitalidade e sendo mais pulada, mas mantendo os passos da primeira. A diferença está na execução. A terceira marcação possível é a de utilizar sua coreografia é de forma puladinha ou marchadinha, como a utilizada no litoral do Rio Grande do Sul.

Chimarrita-Balão: A “Chimarrita-Balão” é conhecida somente no litoral-norte e planalto-do-nordeste do Rio Grande do Sul. “Balão” foi uma dança bastante vulgarizada em Portugal no Século passado, e teve, no Brasil, variantes como ‘Balão-Faceiro”. Não encontramos, a não ser na denominação, a mínima semelhança entre a “Chimarrita-Balão” e a tradicional “Chimarrita”.

Chamamê: Ritmo originário da Argentina, a difusão deste gênero de música na década de 40 se deve em princípio às gravadoras de Buenos Aires e advento do rádio.No Rio Grande do Sul a entrada deste ritmo se deve em muito a proximidade do Brasil e suas fronteiras com países como a Argentina e o Uruguai. Outros gêneros de músicas como a Milonga, o Tango e o Bolero tiveram e ainda têm influência direta na história da formação musical do Rio Grande do Sul. Assim também o chamamê teve sua influência na cultura musical do Estado, principalmente nos últimos vinte anos; foi um dos que mais se popularizou, fazendo hoje parte de todo tipo de encontro onde houver música regional.O chamamê dançado por argentinos ou uruguaianos, em que a marcação também é ternária, assemelha-se à marcação da valsa, nada tem a ver com as loucuras feitas hoje em dia nos nossos bailes, onde acabaram inventando o chamachote ou choteme e, depois, na hora de dançar um chote, caminham como se fosse um chamamê.Opções para figuras ou variações dentro do chamamê, seriam algumas figuras de tango, que, mesmo antes de fazerem parte do tango, já ilustravam as polcas, chamamês e milongas. Vale dizer aqui rapidamente sobre o por quê motivo falo do tango: é que este surgiu primeiro como dança, mas depois se casou com o ritmo do tango andaluz que chegou a região dos pampas. Antes os passos, que depois virão a casar com o ritmo aprendido nos camdombes, eram dançados pelos compadritos em ritmos da sociedade de então, entre estes o chamamê.

Valsa: Walsem (em alemão= andar, peregrinar ou dar voltas). Daí provém o nome valsa. A dança surgiu do antigo minueto, claro que com forte influência de ritmos nacionais da Áustria como Leander e o Deustscher, Tanz sendo a primeira dança de salão de pares enlaçados firmemente. Nas primeiras notícias sobre valsa, temos menção de apresentações datadas de 1660 em Viena, difundindo-se no ínicio do século passado para a França e a Inglaterra. Sendo esta dança tocada em compasso ternário allegro, sempre com diversas partes.

Vanera: Origina-se da habanera, que é um ritmo, cubano de danças e canções, nome este dado em referência a esta capital Havana (La Habana).Seu compasso é binário, de moderado a lento ritmo que foi se popularizar no século XIX e foi muito utilizado por compositores espanhóis e franceses.No Brasil, influenciou não somente ritmos do Rio Grande do Sul, mas também outros, como o samba-canção.No Rio Grande do Sul, a nossa vanera adotou nomenclaturas diversas, como vaneirinha, vanerão ou, ainda, limpa-banco.Dançada assim, com marcação 2 e 2, nos salões do Rio Grande do Sul, dançada puladinha (no que lembra o passo do Bugio) ou arrastada, esta marcação é feita em qualquer direção.O homem inicia com o pé esquerdo indo em diagonal; logo depois, o segundo passo é dado para frente. Entre estes dois movimentos, o outro pé desloca-se levemente em um pequeno arrastar.Os pés partem da posição inicial já indicada nos fundamentos da postura, sendo que os primeiros passos são feitos como se quiséssemos formar um horário de dez para as duas.

Milonga: É um ritmo argentino, mas de origem africana e que surgiu no fim séc. XIX. Inicialmente era considerada vulgar. Seu nome provém do dialeto angolano quimbundo e significa palavra. Foi esse nome que o povo deu ao canto dos payadores. Nascida nos arredores de Buenos Aires, alguns autores ainda alegam que teria surgido a partir da mazurca.A milonga foi introduzida no Rio Grande do Sul inicialmente na fronteira, ao som do violão, o acompanhamento predileto dos declamadores gaúchos.A milonga no Rio Grande do Sul é dançada com a marcação de 2 e 1, duas marcações feitas com uma perna e a outra fazendo deslocamento com um passo para frente ou para trás.

terça-feira, 8 de maio de 2012







QUERÊNCIA
Jayme Caetano Braun
Querência, rincão querido 
Do bochincho e do fandango,
Da boleadeira e do mango,
Da coxilha e da canhada,
Querência verde, orvalhada
Dos ventos que se adelgaçam,
Repetindo quando passam:
- Já fui tudo e não sou nada!


Rincão da flor colorada
No topete das morenas,
Do tilintar das chilenas
E do umbu, triste e sozinho
De onde o ben-te-vi, do ninho
Nas alvoradas serenas
Desfia um sem fim de penas
Na evocação de um carinho!

Querência do cusco amigo,
Nobre e guapo companheiro,
Do balcão do bolicheiro,
Da china linda e do trago,
Do paisano que anda vago
Sem parador nem querência
E vai curtindo na ausência
Recuerdos de algum afago!

 Querência do mate-amargo
Cevado em fogão tropeiro,
Do redomão caborteiro
Que num upa corcoveia,
Da cruz carcomida e feia
Entre moitas de erva rala,
Que tristemente assinala
Vestígios de uma peleia!


Querência do carreteiro
Sempre a cruzar ao tranquito
Na sina de andar solito
Junto a carreta que passa,
Como duende que esvoaça,
Levando para o infinito
O fardo santo e bendito
Dos atavismos da raça!

Querência de Trinta e Cinco
Que a voz do tempo proclama
Como cenário do drama
De entreveros e guerrilhas
Quando as lanças farroupilhas
Nas arrancadas de glória
Pontilharam nossa história
No verde chão da coxilhas.

Quarência da gaita velha
Que pacholeando se espalha,
Do velho rancho de palha
Abandonado ao rigor
E o pavilhão tricolos
Que foi sinal de batalha
E hoje serve de mortalha
Do gaúcho peleador!

Venceste o rigor dos anos
Querência das noites calmar
Porque és gravada nas almas
Dos que seguiram teu fado
E hão de ficar ao teu lado
Na imensidão do teu bojo
Bebendo o último apojo
Das glórias do teu reinado!!!







Dia 08 de Maio - DIA DA VITÓRIA


8 DE MAIO - DIA DA VITÓRIA
Comemorando a passagem, a 8 de Maio último, do Dia da Vitória, a Escola Superior de Guerra reverenciou a memória dos que, nos campos de luta, defenderam a soberania nacional com o sacrifício da própria vida; na ocasião, o Juiz Ney Edilson Prado, estagiário da ESG, proferiu o seguinte discurso, alusivo ao evento:
Naquele Glorioso dia, as forças Aliadas punham fim nos campos da Europa à ameaça nazi-fascista que, convulsionando o mundo, levou a milhões de famílias o desespero, o terror, a morte e o luto.
Vinte e nove anos nos separam daquela apoteótico evento, e os 30 milhões de pessoas mortas naquela que foi a guerra travada para acabar com todas as guerras estão hoje, pra muitos, quase esquecidos.
É oportuno e desejável, portanto, que em todos os lugares e oportunidades que se ofereçam, sejam sempre revividos certos fatos relacionados com aquele conflito, que arrastou nações fortes e fracas, grandes e pequenas, ricas e pobres.
A desgraça teve seu início a 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia. Em abril de 1940, seria a vez do tacão nazista subjugar a Dinamarca e, a seguir a Noruega. Abroquelada na sua linha Maginot, teoricamente intransponível mas ineficaz na prática para conter o ímpeto e o poderio do Exército Alemão, em breve veria a França soar a sua hora trágica.
Os primeiros anos de guerra pareciam confirmar a terrível idéia que os países do eixo totalitário levariam de vencida as nações democráticas. É que, em dado instante, achava-se a Inglaterra sozinha na defesa do mundo livre.
Nesse histórico clima de universal apreensão, Winston Churchill, o lutador de outras guerras, surgia como líder de primeira grandeza. Sob a sua insuperável liderança, soube o grande povo inglês dar também toda a medida do seu valor. Líder e liderados permutavam coragem, resignação e esperança.
Sequiosos, os alemães prosseguiam.
A 7 de abril de 1941, invadiam a Iugoslávia. A 22 de junho, atacavam a Rússia.
Em dezembro do mesmo ano, agredidos pelo Japão, os Estados Unidos aderem à causa aliada, estendendo-se a hecatombe por sobre o Pacífico.
Atacado pelos alemães, e em defesa não somente da honra, da soberania e dignidade nacionais, mas também em nome da liberdade, confiança e respeito entre as nações lançou-se o Brasil, por igual, na grande conflagração.
A participação brasileira no evento foi expressiva, tanto no campo político, como no econômico e, particularmente no militar.
No primeiro, contribuindo decisivamente para o fortalecimento da posição aliada, tanto no plano continental como no mundial. No econômico, fornecendo ao Bloco Aliado materiais estratégicos indispensáveis ao esforço de guerra. E no campo militar, enviado para frente de guerra a sua Força Expedicionária, que gloriosamente cumpriu, apesar de condições e circunstâncias adversas, a missão que lhe foi atribuída.
" Num terreno montanhoso, a cujo píncaros o homem chega com dificuldade; num inverno rigoroso, que a totalidade da tropa veio enfrentar pela primeira vez; e contra um inimigo audacioso, combativo e muito bem instruído, podemos dizer assim mesmo, e por isso mesmo, que os nossos bravos soldados não desmereceram a confiança que neles depositavam os seus chefes e a própria Nação Brasileira."
Diga-se o mesmo, no concernente à Marinha Brasileira, a qual confiou a Nação a ingente tarefa da defesa de sua vasta costa marítima, contra a violenta destruição desenvolvida pelo inimigo. E de tal maneira se conduziram os nossos oficiais e marinheiros, que ao terminar o primeiro ano da nossa beligerância, o Almirante Ernest Hing, Comandante-em-Chefe da Esquadra Norte-Americana, titubeava em salientar a cooperação da Frota Brasileira, responsável pela escolta dos comboios em grande trecho do Atlântico, qualificando-a como modelo de eficiência , regularidade e boa execução.
A nossa heróica Força Aérea teve também participação de destaque nos céus da Europa, bem assim no patrulhamento de nosso litoral.
Os objetivos atribuídos ao Grupo de Caça Brasileiro, consistentes no apoio as forças terrestres, no isolamento do campo de batalha, pela interrupção sistemática das vias de comunicações ferroviárias e rodoviárias e na distribuição da industria e instalações militar do Norte da Itália foram atingidos satisfatoriamente.
Merece destaque também o desempenho eficiente das Forças que aqui permaneceram em apoio e incentivo aos gloriosos expedicionários, na luta contra o nazismo internacional.
Por último não poderia ser esquecido o papel da mulher brasileira, representada pelo valoroso contingente de enfermeiras. Sua missão humanitária e denodada nos hospitais e enfermarias, em muito contribuiu para o êxito da causa.
Graças ao esforço comum, foi possível aos países a liados, grandes ou pequenos, forçar a arrogante Alemanha a render-se incondicionalmente no dia 8 de maio de 1945.
Esse o feito supremo. Essa a grande data que nos cumpre comemorar.
Hoje passados 30 anos devemos exaltar mais a paz do que a vitória. É que logo após a capitulação alemã, uma sombra representada por novo atentado contra a liberdade, partindo agora de um pais aliado, invadiu a cena iluminada pela vitória. Esse fato foi desde logo denunciado por Winston Churchill, em seu célebre discurso de Fulton, a 5 de março de 1946, quando disse:
" Ninguém sabe o que projeta fazer a Rússia Soviética e sua organização comunista internacional no futuro inédito, quais os limites, se é que estes existem, de suas tendências expansionistas e proselitistas."
Não acredito, enfatizou:
" que a Rússia Soviética deseje a guerra. O que eles desejam são os frutos da guerra e a expansão indefinida do seu poder e das suas doutrinas."
E Churchill estava com a razão.
Perfeitamente consciente das enormes vantagens que poderia tirar do desfecho da guerra, e antes mesmo que as cinzas esfriassem, a sombra da ambição soviética estendeu-se pela Europa.
E hoje, após a hecatombe, o que lamentavelmente se constata é que o pesadelo nazi-fascista foi apenas substituído por outro, representado pelo comunismo internacional. Isso porque o conflito ideológico que a Segunda Guerra tentou resolver, na verdade, ressurgiu em nova feição. Uma vez mais a democracia se vê ameaçada por uma outra forma de totalitarismo.
Os valores que estão moveram a Nação Brasileira, e que hoje de novo nos inspiram, são fundamentalmente a democracia e a liberdade, que estruturam e cimentam a união do Mundo Livre.
Esses os princípios que o totalitarismo nazi-fascista ameaçou destruir, pondo em risco a liberdade dos povos e a independência da Nação.
E são esses os mesmos princípios, cuja supressão constitui o objetivo essencial, a que o totalitarismo comunista do extremo oposto pretende atrelar a humanidade. " Ambas as ideologias se tocam em seus extremos, e se confundem no seu horror à liberdade, na sua guerra pela escravização dos povos, na cobiça ilimitada de suas conquistas e no seu bárbaro culto à crueldade."
Se ontem combatíamos nos campos de batalhas a expansão nazi-fascista, agiríamos com incoerências hoje ficássemos inertes diante do expansionismo vermelho.
Há que não esquecer a lição haurida.
Fiéis a nós mesmos, como sempre, empenhemo-nos decisivamente em manter permanentemente viva a chama democrática. Alertados e mais bem preparados, hoje mais do que no passado, estamos em condições de garantir a nossa soberania contra qualquer agressão totalitária.
No mundo de incertezas em que vivemos, é imperioso que nos unamos todos com lealdade, decisão e patriotismo, para fazer do Brasil a pátria grandiosa que tanto almejamos.
Haveremos assim de ser dignos dos que morreram para que pudéssemos ser livres.
Aos heróis vivos daquele tempo, o nosso preito de admiração e respeito. Aos que não retornaram aos braços de seus entes queridos, nesta data de júbilo e tristeza, a perene gratidão dos brasileiros.
FONTE:Revista do Clube Militar - Agosto/1974

Dia 08 de Maio... Dia da Cruz Vermelha Internacional


Dia da Cruz Vermelha Internacional
No campo de batalha de Solferino, no Norte da Itália, em junho de 1859, um homem de negócios suíço chamado Henry Dunant ficou profundamente impressionado com a visão de milhares de soldados feridos abandonados à própria sorte, em agonia por falta de assistência médica. Apelou então ali mesmo para a população local para o vir ajudar, insistindo que os soldados de ambos os lados deveriam ser tratados. Mas não ficou por aí.

Cruz Vermelha é uma entidade internacional, com sede em vários países do globo, cuja missão é levar assistência a quem necessite, nas mais diversas condições: feridos, prisioneiros, refugiados, enfermos.
Na guerra ou na paz, a Cruz Vermelha tem como primeiro objetivo promover o bem-estar; por isto, suas atividades podem se estender ao campo da educação, da assistência social, da prevenção de doenças, do combate de epidemias, fome e muito mais.
Henri Dunant
Henri Dunant
Na esfera social, trabalha com minorias (idosos, deficientes físicos e mentais, por exemplo), doentes crônicos, dependendo da realidade de cada país em cada época.
O importante é que a Cruz Vermelha não age sob interesse de nenhum país, empresa ou organização. Seu interesse maior é a vida, sem discriminar etnia ou nacionalidade.
Sua data é comemorada no dia do nascimento de Henri Dunant, que primeiro concebeu a idéia da Cruz Vermelha e acompanhou sua criação. Dunant ganhou o primeiro Prêmio Nobel da Paz, em 1901, e morreu em 1910. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha também recebeu um Prêmio Nobel da Paz em 1917 - o único durante a Primeira Guerra Mundial - e outro em 1944, pelo desempenho na Segunda Guerra. Quando do centenário da Fundação da Cruz Vermelha, em 1963, mais dois prêmios Nobel da Paz: um foi para o Comitê Internacional e outro para a Liga das Sociedades.

COMO SURGIU A CRUZ VERMELHA?

Henri Dunant
Henri Dunant
A idéia da Cruz Vermelha nasceu em 1859, mais de cinqüenta anos antes de sua efetiva criação e reconhecimento internacional.
Tudo começou quando Henri Dunant, um jovem suíço, se comoveu com o sofrimento no campo de batalha de Solferino, no Norte da Itália, onde os socorros militares não eram suficientes. A forte impressão causada pela dor das pessoas inspirou Henri Dunant a escrever um livro: "Recordações de Solferino", em que descrevia dramáticas cenas da guerra. A partir dali, Dunant já percebia a necessidade de uma entidade que pudesse ajudar pessoas naquele tipo de situação.
A diferença é que, no livro, ele não se limitou a relatar as desgraças da guerra. Mais do que isto, ele sugeria a criação de grupos nacionais de ajuda e apontava a necessidade de se pensar "um princípio internacional, convencional e sagrado", que inspiraria posteriormente a Convenção de Genebra.
Dia Internacional da Cruz Vermelha
Em 1863, também sob influência do livro, seis pessoas se reuniram - entre elas, Henri Dunant - para tomarem providências práticas em relação à situação exposta. Com a presença de representantes de 16 nações, o resultado foi a criação da Cruz Vermelha, a partir de quatro resoluções.
A primeira delas dizia respeito à criação de comitês de socorro, de âmbito nacional, para prover ajuda ao serviço de saúde dos exércitos. Em tempos de paz, seria responsável também pela formação de enfermeiras voluntárias. Também ficou decretada a neutralização de uma equipe de ambulâncias, hospitais militares e pessoal de saúde, a fim de fornecer ajuda sem distinção. Por fim, resolveu-se adotar a cruz vermelha como símbolo, aplicada sobre um fundo branco.
Um ano depois acontecia a primeira Convenção de Genebra, com proposições semelhantes, reunindo assinaturas de 55 países. Era o início da história do direito humanitário.
Nesta época, a Cruz Vermelha era dirigida por cidadãos suíços apenas. As Sociedades Nacionais eram compostas por membros diretamente treinados em primeiros socorros e emergência. Foi após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) que cada Sociedade Nacional formou seu próprio grupo. Unidas, formaram a Liga das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha, hoje conhecida como Federação das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
A preocupação com os direitos humanos levou à atitude contra a guerra e pela paz, principalmente depois da Primeira Guerra Mundial.
Em 1946, este objetivo foi reiterado durante uma Conferência Internacional da Cruz Vermelha, em que se colocou que "... a tarefa essencial da Liga e das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha consiste em um esforço cotidiano para manter a paz e em uma aglutinação de todas as forças e de todos os meios para impedir futuras guerras mundiais". É bom lembrar que isto foi dito em plena Segunda Guerra Mundial.
Dois anos depois, a Conferência Internacional já reunia 46 nações. O marco desta reunião foi a Declaração sobre a Paz.
A Cruz Vermelha Brasileira foi fundada em 1908, com sede no Rio de Janeiro, e tornou-se reconhecida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha em 1912.

ESTRUTURAS E ATRIBUIÇÕES

Cruz Vermelha
Cruz Vermelha
Em sua estrutura internacional, a Cruz Vermelha é formada por um Comitê Internacional e uma Liga das Sociedades, que engloba as diversas Sociedades Nacionais e todas as Sociedades do Crescente Vermelho.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha tem 25 membros suíços e está ligado diretamente às Convenções de Genebra. É um importante órgão de divulgação dos direitos humanitários, com base nos princípios da Cruz Vermelha.
A atividade da Liga das Sociedades da Cruz Vermelha procura coordenar as sociedades-membro no contexto internacional e participar na orientação e no incentivo da criação de novos membros. Fornece apoio operacional em operações de socorro em tragédias internacionais.
Existe ainda a Conferência Internacional da Cruz Vermelha, a mais alta autoridade, convocada de quatro em quatro anos ou quando há alguma necessidade extraordinária. Uma Comissão Permanente coordena as atividades da Cruz Vermelha nos intervalos entre as Conferências Internacionais.

INFORMAÇÕES RÁPIDAS

Desde sua criação, em 1919, a Liga das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha já coordenou mais de 300 operações de socorro de emergência no mundo inteiro.
Na última década, foram lançados cerca de 150 apelos que resultaram em um valor de cerca de 500 milhões de francos-suíços (mais de 750 bilhões de reais).
Ao todo, são 171 Sociedades Nacionais em 171 países.
Para se ter uma idéia, em 1919 havia apenas uma Sociedade Nacional na África; em 1948 eram duas e em 1979 o salto foi enorme. Já eram 37 Sociedades Nacionais.
A Cruz Vermelha salvou pessoas em terremotos nos seguintes países: Guatemala, Itália, Peru, Nicarágua, Turquia e Romênia; inundações, tufões ou ciclones em Bangladesh, Filipinas, Honduras e Romênia; secas na África, Etiópia, Haiti e Somália;
Em 1953, o número de membros adultos era de cerca de 56 milhões.
Fonte: www.ibge.br
Dia Internacional da Cruz Vermelha

08 de Maio

Comitê Internacional da Cruz Vermelha é uma entidade internacional sem fins lucrativos, com sede em Genebra (Suíça), que tem o objetivo de socorrer vítimas de guerras e de catástrofes naturais.
Fundada em 1863, a entidade presta assistência às vítimas, fornecendo alimentação, assistência médica e abrigo.
Dia Internacional da Cruz Vermelha
A Cruz Vermelha também desenvolve um trabalho junto aos prisioneiros de guerra, buscando restabeler o contato com seus familiares e localizando os que foram dados como desaparecidos.
Sua prioridade, tendo a neutralidade como princípio, é o não envolvimento em questões militares, religiosas ou políticas.
Para isto, possui quatro bandeiras que são adotadas conforme a cultura da região em que estiver atuando.
Cruz Vermelha
Para casos especiais, onde o Comitê não pode usar nenhuma destas três bandeiras, há ainda uma quarta opção - a do Cristal Vermelho - totalmente neutra, de uso excepcional e temporário. Sua forma é de um triângulo eqüilátero.
O dia da Cruz Vermelha é em homenagem a data de nascimento de seu fundador, Jean Henri Dunant.
Ele foi agraciado com o primeiro Prêmio Nobel da Paz, em 1901, vindo a falecer nove anos depois.
A própria Cruz Vermelha também foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz, em 1917.
Cruz Vermelha
Fonte: www2.portoalegre.rs.gov.br